A Ervilha Cor de Rosa
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dezembro 09, 2004

o infantário (parte 2)

amigas e balões
Há meio ano pesava aqui os prós e os contras de pôr a E. no infantário e tentava decidir-me entre os dois que tínhamos elegido como possíveis. Acabámos por decidir tê-la em casa mais um ano e não estou minimamente arrependida. Começo agora a pensar no próximo ano lectivo, que começará quando a E. tiver dois anos e meio, e quando volto a pesar os prós e contras das duas escolas quase só encontro contras:

Na escola especial, por muito que me tenha agradado tudo o que vi, assustou-me o tom fundamentalista dos que a dirigem sempre que falámos sobre o seu projecto. Quis saber de que forma o facto de a pedagogia que seguem ter uma componente religiosa se manifesta ou não no quotidiano das crianças e tive mais do que nunca a certeza de que não sou capaz de confiar em nenhuma instituição que não seja absolutamente laica. Quanto à escola normal, sempre que penso nela (ou nas outras do género), só me vêm à cabeça imagens de crianças normalizadas, todas a fazerem desenhos em folhas brancas do mesmo tamanho, todas a desenharem núvens azuis no céu branco, todas a fazerem actividades atrasadas mentais (estilo picotagem de desenhos horríveis) - mas que criança de dois anos é que precisa de actividades que não sejam brincar livremente e de preferência a céu aberto? -, todas a responderem em coro sim e não a coisas sobre as quais têm naturalmente opiniões e experiências diferentes e subjectivas, todas a quererem os mesmos brinquedos no Natal...

[suspiro]

amigas

dezembro 9, 2004 03:14 PM | Translate

 

Comentários:

Infantários... estive num quando pequena... foi horrivel!!! só traumas...
não ha tempo para as crianças... imensos miudos numa só sala com uma ou 2 educadoras... como podem respeitar assim a individualidade de cada criança???
Rosa, não ponha a Elvira num infantário...

Por: mar em dezembro 9, 2004 04:28 PM

eu tive uma ama, uma senhora com os seus 50 e tais que morava do outro lado da rua e tomava conta de mim (e do meu irmão, mais tarde). brinquei, passeei com ela de autocarro no porto, ajudei a fazer enchidos, aprendi a fazer bolinhos, plantei couves, construí casotas... chegava todos os dias a casa com mais um arranhão e a roupa muito suja... mas extremamente feliz!

Por: ana em dezembro 9, 2004 05:11 PM

É engraçado pois estive a ter há pouco tempo esta mesma conversa por causa dos meus sobrinhos.
Estou convencido que, quer a E. vá para uma escola ou outra, quer fique em casa, chegará o Natal e vais ver que quer o mesmo que as outras crianças: ele é um mercandising do super-homem, dos incríveis, do Hulk, das bonecas... Estive a reflectir um pouco sobre como seria no nosso tempo e de facto o paralelismo é grande. Na nossa altura as mesagens consumistas não eram tão agressivas, mas o que era certo é que tudo então também funcionava por modas e todos as crianças tb queriam os mesmos brinquedos (piões, berlindes, ZX Spectrum...). Agrada-me tanto como tu sentir o mundo cada vez mais padronizado e standardizado, ), mas, sendo leigo na matéria, parece-me que nos seres humanos (e particularmente nas crianças) há um impulso muito forte de se sentirem identificados e integrados com um determinado grupo sociais de amigos com interesses comuns (assim como tu e as tricotadeiras e tricotadeiros).
Já a questão da formação de base cristã me faz muita impressão: mete-me impressão tudo o que seja impingir valores (pelo menos formalmente) a crianças numa idade em que elas não possam ser ouvidas: seja na religião, seja no clubismo (onde é que já se viu increver um recém-nascido como sócio de um clueb de futebol!), seja o partidarismo (militantes das jotas? Basta olhar para o governo do Santana para ver no que dá...).

Bjs
Jorge

Por: jorge em dezembro 9, 2004 05:14 PM

They are too adorable. And I love their colorful little outfits.

As for choosing a school, that is such a big, scary issue. At times my husband and I have felt it might be best to home school our son, rather than allowing the public school system to turn him into some sort of robot, an automaton who just follows directions and has all his innate creativity stamped out. We still haven't figured out what to do. Sigh.

Por: Sharyn em dezembro 9, 2004 06:10 PM

Eu tb já me fartei de pensar nisto, Rosa, e acho sinceramente q o melhor q podemos fazer é acompanhar o melhor possível, contrabalançando e dando instrumentos às crianças para terem outras perspectivas e capacidades, sobretudo críticas e criativas. Ao excluirmos os nossos filhos da normalidade podemos estar a contribuir para a formação de seres demasiado auto-centrados e pouco conscientes do mundo q os rodeia.
A Elvira é linda... um dia temos de lhe apresentar a Inês.

Por: Joana em dezembro 9, 2004 06:48 PM

Tenho andado a matutar no mesmo...mas no que se refere a berçarios e a colocar o meu ervilhO com 6 meses num (horrível, eu sei!!)...Hoje uma notícia que poderia ser péssima acabou por me colocar um sorriso nos lábios...recebi a rescisão de contrato o que significa que poderei ficar com o meu filho pelo menos durante o seu 1º ano de vida!!
Obrigada por me ires ajudando a pensar neste assunto tão delicado!
Beijinhos,
Inês

Por: InesN em dezembro 9, 2004 07:20 PM

eu tive ama até aos 2 anos e depois fui para o infantario, era particular por isso suponho que fosse ligeiramente mais especial que uma escola oficial (e estive no mesmo colegio até ao final do 9ºano). lembro-me que fazia muitos desenhos, daqueles com os dedos :), aprendia inglês e tinha natação. lembro-me de que a primeira palavra em inglês que aprendi foi butterfly e cheguei a casa toda a contente a dizer à minha mãe que já sabia falar inglês. penso que é/era um colégio onde se os meninos queriam aprender eram ensinados (tanto que eu e outras colegas acabamos por não fazer a primeira classe por já estarmos mais avançadas) Traumas foi só da comida, mas suponho que se for perto de casa possas ir buscar a E. para lhe dares tu os almoços. Também detestava a sesta, por isso as educadoras costumavam levar-me com elas ao café enquanto os outros meninos dormiam :)

Por: morgy [TypeKey Profile Page] em dezembro 9, 2004 07:21 PM

F. (2 1/2) has just started preschool. I looked into lots of different schools and found the most 'normal' school the most pleasant. 4 lovely ladies watch these kids, they play, drink milk and cookies in a circle, paint, run, and play outside. It's only for 2 mornings a week and he absolutely loves it. To play, to paint, to run around with other kids, to have lots of space and have his independence until I come to pick him up and cuddle him. Until he's 4 this is good enough. Then I will look into different educational systems again.

Por: Karin em dezembro 9, 2004 07:23 PM

A mim parece-me que se dá demasiado valor à escola: seja para enfatizar os aspectos negativos (a tal normalização), seja os positivos (a aprendizagem, a socialização. Claro que todas as escolas normalizam, para isso é que elas servem, mesmo que seja para tornar todas as criancinhas em fadinhas a comerem só legumes e a brincarem com pauzinhos e pedrinhas.
Mas a vida não é (NÃO DEVE) ser só a escola. Os horários deviam ser mais curtos, mas mesmo não sendo, caramba, há tanto para fazer cá fora. Depois da escola, antes da escola (para os madrugadores, tipo o meu filho, que acorda às 7 e que está até às 9, antes de sair para a escola, a brincar e a desenhar), aos fins de semana, nas férias, com os pais, os irmãos, os tios, avós, primos, vizinhos, amigos cá de fora. Que sei eu? Sei que fui sempre feliz nas escolas por onde andei (menos nos últimos anos da adolescência, num liceu do centro de Lisboa que odiei), grandes, pequenas, mais ou menos convencionais (antes da univ. andei em 4 escolas diferentes; uma para cada ciclo de ensino, praticamente). O que sou é produto disso mas é, acima de tudo, produto dos amigos que tive, da família que tenho e das coisas que fiz fora da escola. Se pensarmos bem, somos todos assim - para o bem e para o mal.
E só mais uma coisa acerca dos brinquedos que se pedem: se os miúdos não virem televisão (como os meus, que só vêem, e pouco, vídeos e dvds) a pressão diminui drasticamente; não é a escola que a institui. Nada do que o Manel pediu (livros do Gaston Lagaffe, o Buzz Lightyear e o Woody do Toy Story, locomotiva com pilhas, filmes sobre leões, lápis aguarela, etc) foi influência da escola ou dos anúncios. Nem sequer de vistas ao Toy R Us, onde ele foi uma única vez em 4 anos e meio de vida. São pistas que vamos dando, sem saber bem como nem quando, às vezes, e que eles vão apanhando porque se interessam por essas coisas. Mas são coisas padronizadas, típicas da nossa sociedade de consumo, não são brinquedos criados pelos miúdos, como no tempo dos nossos avós.

Enfim, sei lá, onde eu quero chegar é que, como diz uma amiga minha que é muito "naturalista" e alternativa, viver fora da norma cansa muito e, se formos bem a ver, só vale a pena nas coisas realmente grandes, realmente fundamentais, para podermos ir cedendo nas outras, e vivermos menos como alienígenas no dia-a-dia.

desculpem lá o sermão...

Por: marta em dezembro 9, 2004 08:42 PM

such a beautiful photo!!! again!
;)
t

Por: tania em dezembro 9, 2004 09:26 PM

também posso partilhar a minha experiência?
estou naquela idade emque já começo a esquecer-me do infantário e ainda não tive filhos. mas lembro-me um bocadinho... e foi muito bom conviver finalmente com outras criançã, não estar só com mãe-avó-ama... acho que o principal é escolher um infantário onde deixem os miúdos à vontade, as experiências mais significativas fazem-se em casa, da qualquer maneira...

Por: andrea em dezembro 9, 2004 10:47 PM

pois eu digo-te que o infantário para os meus filhos foi muito bom. não pelas actividades, nem pelas instalações, nem pelas normas de comportamento que lá lhes ensinaram (foi lá que deixaram as fraldas e aprenderam a comer sózinhos), claro que isso também foi importante, mas o que para mim foi fundamental foi a oportunidade de estarem com outras crianças, de se integrarem num grupo. as relações inter pares. bjs

Por: isabel em dezembro 9, 2004 11:12 PM

my two cents:
percebo-te mas também me parece complicação a mais, rosa. eu já passei por tudo: das escolas "inovadoras", cheias de pedagogias prá frentex, de esquerda, etc. às escolas mais católicas onde tinhamos de rezar o pai nosso (em chinês!) todas as manhãs. passando também pelo ensino público dos EUA e de portugal.. passados estes anos, acho que a minha mãe tomou as decisões possíveis de acordo com o sítio onde estavamos. e o que eu gostei mais da minha escolariedade foi a variedade de línguas, formas de ensino, e exigências. e não sinto necessariamente que me tenha divertido ou aprendido mais na escola "inovadora" do que na escola católica, ou mesmo no velhinho e à partida pouco estimulante pedro nunes lisboeta. a melhor parte da minha infância foi mesmo ter um pai e um padrasto arquitectos-excêntricos que me levavam a desenhar (em separado, claro!) e exigiam um mundo de mim, uma mãe que me lia desde a crónica geral de espanha a poesia clássica chinesa, e uma casa numa floresta abandonada onde eu podia ser tanto maria-rapaz (o cavaleiro) como menina (a princesa) à minha vontade, sem que ninguém me impingisse ideias.

mas já agora, só para te rires: a minha mãe conta sempre que quando cheguei a casa depois do primeiro dia de escola (no "nosso jardim") lhe disse, "mãe! aprendi a dizer ovelha, é mémé" (!)

escolhas, escolhas. que sorte teres uma filha para poderes pensar estas questões.

(já tentei adicionar este comentário três vezes. desculpa se vai tudo triplicado..)

Por: rosa.va em dezembro 10, 2004 09:14 AM

sem dúvida que o melhor do melhor é estar com a mãe e o pai. mas a partir de uma certa idade, o melhor do melhor é estar com a mãe, o pai, outros meninos e outras pessoas que tomam conta.

cada parcela q.b. (ainda que as maiores devam pertencer sempre aos pais)

segundo se percebe tens possibilidade de ter a E num infantário (normal ou especial) em tempo "reduzido", não é? parece-me que isso, assim, é o ideal! e uma sorte!

um tempinho com meninos a aprender coisinhas (mesmo que padronizadas) e um tempão com os pais a aprender coisas especialíssimas!

:)

Por: pal em dezembro 10, 2004 11:53 AM

Tentei duas vezes integrar o meu filho num infantário. Tinha a alternativa dos avós e de ter um horário em part-time e acabou por nunca entrar em nenhum...
Massacraram-me! Que não se ia adaptar às crianças e à escola.
Tentei convívios com crianças do prédio e tentei fazer as actividades «curriculares» em casa.
Não me arrependi nada! Agora está no 3º ano, adaptou-se lindamente e tem muitos amigos.
Os infantários são um mal necessário para quem não tem alternativa. Quem puder que pense bem...
Beijinhos

Por: jacky em dezembro 10, 2004 02:25 PM

Eu quero acreditar que a experiência-infantário é fundamental para o crescimento saudável de uma criança (a partir de um ano...), quando em doses moderadas e quando acompanhados pela família...não acho que os miúdos fiquem estereotipados...as crianças são os seres mais criativos do mundo (se a tua sair a ti, promete...)! Beijinhos

Por: ziza em dezembro 10, 2004 02:58 PM

a criança é um ser social por natureza, não é necessário ir para nenhuma escola aos 6 meses, ou até aos 3 anos, para aprender a brincar ou a estar com outras crianças. Até aos 3 anos o que elas precisam mesmo é de carinho e de se sentirem o centro do mundo.

Por: eva em dezembro 10, 2004 04:28 PM

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