fevereiro 09, 2007
eu voto SIM

Uma e outras imagens pelo Sim, os meus argumentos e os daqueles ao lado de quem fiz a campanha de há nove anos.
agosto 21, 2006
lisbonense

Há meses que andava a namorar a montra da Sapataria Lisbonense, enquanto me decidia entre calçar ou não à E. uns sapatos mesmo a sério (porque pensando bem não tinha tido uns únicos até hoje cuja sola não fosse de borracha). A experiência, que já resultou num par de pés felizes, fez-me pensar que 1. há anos que não entrava numa sapataria propriamente dita; 2. só tenho e só tive nos últimos anos um par de sapatos sem sola de borracha e as vezes que os usei contam-se pelos dedos de uma mão; 3. esses mesmos sapatos são também, que me lembre (e apesar do nome enganador da marca), os únicos sapatos portugueses que tive em talvez mais de dez anos (!).
Alguns links atrasados:
Denise Burge (via Whip Up).
Piece of Cake: este estojo, estes bonecos e as outras imagens todas.
Sapataria Lisbonense
Rua Augusta, 202/4
1100-005 - Lisboa
abril 04, 2006
wip

Rendida às evidências, encomendei aqui o recheio (wadding) apropriado para terminar este projecto.
Sobre o assunto de ontem / eternamente pendente, constatei esta manhã com alívio que a Linha do Cidadão Idoso ainda está viva. Atenderam-me com a simpatia do costume mas as notícias que tinham estavam longe de ser boas. Pelos vistos a Autoridade de Saúde voltou a pronunciar-se sobre o assunto no final de 2005 para dizer o mesmo: no seu entender não há razão suficiente para fazer alguma coisa. Frustrada, questiono-me acerca do fundamento para este parecer. Sei bem que há (infelizmente), mesmo aqui no Bairro Alto, muitas outras pessoas a viver assim tão mal ou mesmo pior. Não pode ser essa a razão para não intervir a tempo (três anos de alertas deviam chegar e sobrar). Nas histórias parecidas de que tenho sabido a solução é invariavelmente a mesma: resolve-se o problema quando a pessoa em causa morre, mas não antes. Tenho vergonha de estar à espera.
fevereiro 02, 2006
admirável mundo novo

Hoje percorri o bairro dos meus pais como não fazia há muito. É um bairro que não é bem um bairro, entalado que fica entre a Madragoa e outro (o Alto). Nos últimos anos transformou-se quase beyond recognition e acho que só hoje percebi quão poucas lojas são as mesmas de quando lá chegámos. Em 1984, a menos de cinco minutos de casa tínhamos uma chapelaria (agora vazia), um correeiro (tornado loja de molduras de revigrés reluzente no chão), onde ia aplicar molas e ilhoses nos empreendimentos crafty da época, um grande armazém de louças e plásticos (agora loja de quinquilharias sazonais), várias lojas de pronto-a-vestir (agora lojas chinesas e dos 300), ourivesarias, padarias, inúmeras mercearias (umas mais especializadas que outras), sapatarias, duas drogarias (a que não fechou é a única loja da zona cujo interior ainda não foi destruído), farmácias, o fotógrafo do bairro (grande resistente), carpintarias, retrosarias, um alfarrabista (outro que sobrevive), barbearias, papelarias, confeitarias, etc. Na altura só a Chapelaria Royal parecia condenada. Tento recordar cada uma das novas lojas por onde passei hoje (produtos naturais, decoração, bijuterias, agência de viagens, loja dos trezentos, loja chinesa, loja chinesa, loja dos trezentos) e das velhas também (loja de roupa de homem em liquidação total, loja de roupa a fechar, loja fechada, loja fechada, electricista empoeirado, tasca, papelaria fechada, loja de velharias feita agência imobiliária, quinquilharia, loja chinesa) e perceber como pode ser que a maior parte daquele novo comércio tradicional seja agora o do absolutamente inútil (brindes, quinquilharia, decoração, fonte a pilhas, flor de plástico, peluche piroso, pastilha elástica).
março 10, 2005
#144


Não são poucos os dias em que dou por mim a pensar que gostava de morar numa casa mais cómoda, mais nova, numa rua com passeios mais largos e onde carregar um bebé quatro andares para cima e para baixo várias vezes ao dia não fosse tão cansativo. Mas são mais aqueles em que adoro a luz da nossa casa (hoje mais branca, noutros dias mais quente) e fico contente por ter por vizinhas muitas pessoas especiais e outras tantas lojas onde nunca se entra vezes que cheguem, como esta.
Não esquecer (note to self): da próxima vez que a gaveta do detergente da máquina da roupa não quiser abrir, verificar se por baixo dela não estão todos os ímanes misteriosamente desaparecidos do frigorífico durante os últimos meses.
[tag: softies]
janeiro 26, 2005
lx mmv

Mesmo tendo lido textos e mais textos manuscritos dos séculos XIV a XVII (incluindo um processo da inquisição de Évora de fio a pavio e pelo original), nos quais tirar o máximo partido do suporte e do tempo implicava abreviar quase todas as palavras com regras bem definidas, às vezes ainda fico um bocadinho chocada. É prova de que estou a ficar velha.
outubro 21, 2004
azul e amarelo

Há uns anos, não sei a que propósito, alguém pintou por todo o bairro um rasto de pegadas azuis e amarelas. A E. adora-as. Quando começamos o jogo das pegadas (onde está a próxima? de que cor é?) esquece-se logo de fazer fitas para vir ao colo.
Direct from Mexico: lindas bonecas mexicanas.
outubro 07, 2004
a sina dos portuguesinhos
Não é porque o vejo da janela. É mais porque a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais diz que se trata de um monumento cuja protecção se encontra em estudo e ao mesmo tempo a Amorim Imobiliária já diz que tem Apartamentos T1 a T5 em pré-comercialização.
Não estou por aí além interessada na conservação do típico e no popular do Bairro Alto (sobretudo no que toca aos ex-libris que são as esquinas mal-cheirosas, os chefes de família alcoólicos, os velhos sem água canalizada, o lixo no chão e as casas a cair de podres, todos tão tradicionais, para não falar na heroína que agarrou pelo menos uma geração de nados e criados entre a Rua do Século e a da Misericórdia). Fico contente quando vejo as tias às compras na Rua do Norte, os casais novos sem medo da falta de elevadores e os adolescentes de outras paragens que cá vêm cortar o cabelo ou à procura de roupa e acessórios diferentes. É claro que o Bairro só sobrevive mudando, integrando gente diferente e maneiras diferentes de viver. Mas não é assim.
Por isso é que não hesitei em assinar a petição contra esta transformação do Convento dos Inglesinhos num condomínio fechado feita assim à sorrelfa.
Mais bibliografia:
Um e outro post no Hardblog e outro no Afixe.
Começaram as Demolições no Convento dos Inglesinhos, Público (23 de Setembro)
Convento dos Inglesinhos começou a ser demolido, JN (23 de Setembro)
IPPAR aprova obras nos Inglesinhos, JN (26 de Setembro)
junho 09, 2004
senhor automobilista
Não se espante se, da próxima vez que bloquear uma das ruas do meu bairro ao estacionar a sua viatura, encontrar no regresso uma valente amolgadela ou outro dano da minha autoria (não quero saber se é morador, se só ia demorar cinco minutos ou se estava a carregar ou a descarregar alguma coisa). Para passar entre um carro e uma parede (ou um sinal de trânsito ou seja o que for) uma cadeirinha de bebé (para não falar de uma cadeira de rodas) precisa de mais espaço que o vulgar peão. Estou farta de contornar quarteirões inteiros.
Reclamações, é favor endereçá-las à CML.
maio 28, 2004
bairro
Aqui no bairro, são sinais do verão que se aproxima o cheiro a bolos quentes a partir da meia-noite e o de sardinhas assadas ao fim-de-semana.
maio 27, 2004
azul e branco

Depois de a Isadora, que é uma rapariga séria, escrever aquela entrada sobre o Jorge Costa, quem sou eu para ter vergonha de dizer aqui que cá em casa torcemos todos pelo FCP (e eu em particular pelo treinador e pelo guarda-redes)?
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